O ROMPIMENTO QUE EXPÕE A FRAGILIDADE POLÍTICA DO GOVERNO LULA

 Hugo Motta rompeu com Lindbergh Farias e deixou claro que não quer mais nenhum tipo de relação com o líder do PT na Câmara. Esse é um movimento que vai muito além de uma briga pessoal. É um sinal de que o governo Lula perdeu o comando político num Congresso cada vez mais independente e desconfiado do Planalto.

A resposta de Lindbergh foi imediata. Ele chamou a postura de Motta de imatura e lembrou que política não é clube de amigos. O problema é que a crise entre os dois reflete algo muito maior. O governo sofre derrotas seguidas, não consegue organizar sua base e já perdeu a capacidade de conduzir negociações estratégicas.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao centro, e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), à direita na imagem -  Pedro Ladeira-1º.out.25/Folhapress Edição para o blog: Carlos Santana

O caso do projeto antifacção mostrou isso de forma cristalina. Motta colocou Guilherme Derrite como relator, alguém alinhado a Tarcísio de Freitas, adversário direto do governo. O Planalto reagiu tarde e orientou votar contra, mas foi derrotado mais uma vez. Não é um tropeço isolado. É um padrão que se repete com o IOF, com MPs travadas e com decisões que esvaziam a autoridade do Executivo.

No centrão, o clima é de frustração. Falam em acordos descumpridos, pouca entrega e desgaste crescente. No Senado, o ambiente também azedou depois da escolha de Jorge Messias para o STF, contrariando a preferência da cúpula da Casa. A reação veio na mesma hora com uma pauta explosiva colocada em votação.

O rompimento entre Motta e Lindbergh funciona como alerta. A governabilidade está frágil. A articulação política está dispersa. E a relação com o Congresso escapa cada vez mais das mãos do governo. Se nada mudar, o Planalto continuará colecionando derrotas e perdendo espaço para um Legislativo que já percebeu a oportunidade de assumir o protagonismo.

Esse episódio não é apenas um conflito interno. É o retrato de um governo que corre o risco de ser conduzido pelo Congresso em vez de conduzir o país.

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